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domingo, 28 de novembro de 2010

mentimos... ?



Ela muda a cor de cabelo, pinta as unhas com uma nova cor. Vai ao shopping, compra roupas novas, arrisca com coisas que não usaria nunca, antes, e muda quase metade do guarda-roupa. Descobre uma cafeteria simpática, começa a frequentar toda semana, as vezes sozinha, as vezes não. Passa a usar alguns colares e pulseiras novas, com miçangas e pedrinhas coloridas, reminiscências de uma feira hippie. Para de baladas, extermina as pretensões e se contenta com a computador como hobbie. Faz mais uma nova melhor amiga de infância, troca confidências renovadas, estabelece novos laços de afeto.
Ele faz uma nova tatuagem, maior que a anterior, mais colorida que a anterior. Troca algumas namoradas, arrisca uma novas, abandona tantas outras. Passa a fumar também quando sóbrio, ao contrário dos hábitos e conceitos anteriores. Apaga, do computador, uma porção de músicas, discos pra nunca mais de ouvir. Em compensação, conhece tantos outros, vira fã de bandas nunca ouvidas antes. Vai a novas festas, alguma nem tão legais assim, mas não consegue mais ficar em casa.
E quando os amigos lhes perguntam “tudo bem?”, sorriem com todos os dentes bem brancos, dizem que sim, que está tudo tranqüilo.

Mentem.
Mentimos.



*

eu queria ter sentido algo nobre aquele dia...




- Vocês se amaram?
- Ele me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.
Helena tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o
- Eu gostei de você, Ricardo.
- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?
- Percebo, me desculpe.


'tenho a mão estendida para abrir a porta, chamar o elevador. descer, partir, viver.*

e foi assim que fez...


*

porque me chamam de fria?




'essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa.



*

Frieza: capacidade de analisar uma situação com o cerebro e não se deixar levar pelas tolices do coração.

é, pior que sim...

eu sei, sou uma pessoa fria muitas vezes. Minha frieza é minha proteção. Mas tento, de todas as formas, fazer o que posso para não congelar o resto do mundo.



*

tequila, café e cigarros exatamente nessa ordem me preenchiam...




'aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não. Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê ? Se eu tivesse noção do que era. Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada . *


*

o que me dá raiva...




' são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós, são seus olhos e mão e seu abraço protetor, é o que vai me faltar, o que fazer do meu amor ?'

eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer, que só me lembram que nada vai resolver... *


*

me aceita?


'que me quisesse assim, imperfeita e cheia de confusões. Que soubesse os momentos em que eu preciso de uma mão passando entre os fios do meu cabelo. Que percebesse que às vezes tudo o que eu precisava era do silêncio e do barulho da nossa respiração. Que visse que eu me esforçava de um jeito nem sempre certo. Que visse lá na frente uma estrada, inteiramente nossa, cheia de opções e curvas. E que aceitasse que buracos sempre terão. O que eu queria, é que você me visse de verdade. Que não quisesse a melhor mulher do mundo. Que olhasse dentro de mim e visse o que eu sou, com meus momentos de sabedoria, esperteza, alienação e ingenuidade, porque eu nunca vou saber tudo. E entendesse que de vez em quando faço questão de não saber nada. Que você notasse que eu faço o melhor de mim e vezenquando desconheço o que eu realmente posso ser. Queria que você tivesse paciência grátis e um colo que não fizesse feriadão. Que me ensinasse mais, a cada dia, o meu. E o seu. *


'

o medo de hoje...


'de repente sinto medo. Um medo antigo, o mesmo que sentia o menino escondido embaixo da escada, esperando castigos. Um medo e um frio que nascem de alguma zona escondida no cérebro, nas lembranças, nas coisas que o tempo escondeu ao avançar, como se recuando súbito pusesse a descoberto todos os cantos invisíveis, todas as teias de aranha recobrindo velhos muros, os mesmos que tantas vezes tentei escalar sem que houvesse nada depois, nenhum caminho, nenhuma casa. Nada.


*Que Deus me proteja do medo que hoje sinto.



*

terça-feira, 16 de novembro de 2010

um momento meu ai... *



'que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento.
Então, que não se arrependa.
Da gente.
Do que fomos.
De tudo o que vivemos.
Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos.
Que termine com a sensação de ter me degustado por completo,
mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais.
E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida.
E que uma parte de você acredite que ela foi,
de fato,
a mais bela história de amor da sua vida.


você faria isso por mim?

*

vício.


'no cinzeiro cheio
de cigarros fumados,
os restos de uma carta...


*

bromazepan?


'e uma capacidade de desarmar com um sorriso.
ela estava recheada de flores.
é que no fundo, existem coisas que são só dela.

'aquela loucura de flores e cores do lado de fora era a vitória dela.*


qual o pq de algumas coisas não irem embora?

mais as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. *

e ficam...

*

ouça você.

'Era o instinto me dizendo que não dava mais pra sofrer'

(Ainda ouço esse instinto em mim, e isso me sobrevive)


que dia foi esse hoje?


*

talvez um dia...

'
Talvez um dia eu acorde diferente! Sim...eu acorde com vontade de respeitar minhas vontades... Darei meu grito de alforria... e deixarei de ser elo de minha própria infelicidade! Neste dia, meterei os pés pelas mãos, sem medo de ser feliz. Botarei um riso na cara...escancarado, que é bem verem a minha alegria. Neste dia... eu ousarei me colocar em primeiro lugar, e então, subirei num pedestal. Aplaudirei de pé minha vitória, e de cabeça erguida comemorarei ser quem eu sempre quis ser: Eu!!! Talvez um dia eu acorde...talvez!

*

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

falta doentia.


(...)Uma esquizofrenia teológica, eu sei, quando fica tudo confuso assim, meu descanso é recolher-me como um tatu-bola e repetir até passar a crise, Senhor, tem piedade de mim. Até em sonhos repito, Senhor, tem piedade de mim, é perfeito. Sensação de confinamento outra vez, minha pele, minha casa, paredes, muro, tudo me poda, me cerca de arame farpado.*

*

sintomas... de que?




'Hoje de manhã eu acordei e fiquei olhando para tudo catatônica, um misto de susto com deslumbramento. Me dei conta de que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Foi difícil enterrar tantos mortos e tantas rotinas, mas está sendo muito fácil viver dentro de mim.'

*

você deixou esse buraco porque?...



Não tem mais bagunça na sala e nem sua meia soltando pelinhos pretos que parecem terra. Hoje vou conseguir me esparramar bastante na cama e dormir, dormir, dormir. Vou poder ver coisas leves na televisão e não passar mais mal com seus jornais cheios de desgraça. Não tem mais você me fazendo comer o doce com licorzinho. Sobrou um buraco triste entre o sofá e a planta. Não tem mais seu secador de cabelo que me fazia sorrir como só as pessoas que sentem muita paz conseguem. E você pra contar mais umas das 500 histórias que me fizeram, pela primeira vez, não querer tanto ocupar a vergonha de gostar com minha voz. Não tem sua euforia, a cordinha da alegria na qual você se agarra porque tem medo do que passa abaixo dos seus pés. Não tem mais seus olhos arregalados além do susto, me pedindo que a gente se divirta, que a gente consiga porque, afinal, a vida não anda das mais fáceis pra você e você, sempre como um touro, tenta e consegue tudo.
Você está certo em exibir ao mundo tantos dentes e tão brancos. Eu é que estou errada quando paro um pouquinho para olhar com tristeza esses sustos do amor. Não tem mais você tirando sarro quando eu não agüentava a dor no peito e te dizia no escuro que era mais ou menos amor mesmo. Porque era. Porque é. Se você soubesse o estado que estou agora, zumbi, pegando detalhes seus por aqui, e doendo tanto que nem sei mais por onde começar. Eu não agüento mais começar. Queria tanto continuar. Não sei, não agüento, ainda não posso, mas queria continuar.
Alguma coisa deu errado em mim, eu não sei te explicar e eu não sei como arrumar e nem sei se tem ajuda pra isso. Mas meu corpo inteiro se revolta quando gosto de alguém. Me armo inteira pra correr pra bem longe e pra lutar com unhas gigantes quem tentar impedir. Me mata constatar como é ridículo ficar com saudade só de você ir tomar banho. Ter que sentir ciúme ou mágoa ou solidão e sorrir para não ser louca. Eu sinto de um tamanho que eu não tenho e então começo a adoecer, como sempre. Eu não sou louca, eu só não tenho pele pra proteger e quando você toca em mim eu sinto seus dedos e olhos e salivas deslizando por todos os meus órgãos. E você não precisa entender o medo que isso dá, mas talvez um dia possa ter carinho.Se você pudesse ver agora, tão pequena, tão desesperada, tão apaixonada, você me diria tantas coisas horríveis de novo? Se você visse como flutuo pela casa sem conseguir pisar no chão porque dói demais você não estar aqui, você diria novamente que eu peso demais?
Me perdoe pelos meus mil anos à frente dos nossos segundos e pela saudade melancólica que eu senti o tempo todo mesmo sendo nossos primeiros momentos. Pelo retesamento na hora de entregar. Pela maneira como eu grito e culpo quem tiver perto por uma angustia que sempre foi e será só minha e que eu sempre suporto mas quando sinto amor fico achando que posso distribuí-la um pouco, mesmo sabendo que é fatal. Me desculpe por eu ter querido tanto ficar bonita e perfeita e só ter conseguido olheiras. Me perdoe pelas vezes que de tanto querer leveza acabei pesando a mão. De tanto querer sentir, pensei sobre como estava sentindo, e perdi o sentimento. Ou senti sem pensar e isso pra mim é como meus medos das drogas e então precisei roubar a chave do carro do seu bolso pra me proteger de não olhar mais uma vez você e nunca mais voltar pra casa. Minha maior dor é não saber fazer a única coisa que me interessa no mundo que é amar alguém. Me perdoa por eu querer de uma forma tão intensa tocar em você que te maltrato. Minha mão acostumada com um mundo de chatices e coisas feias fica tão gigante quando pode tocar algo lindo e puro como você, que sufoca, esmaga e estraçalha. Me perdoe pela loucura que é algo tão pequeno precisando de amor e ao mesmo tempo algo tão grande que expulsa o amor o tempo todo. Eu sou uma sanfona de esperança. Eu tenho estria na alma.
Enfim. Cansei de pedir desculpa por quem eu sou. Cansei de ouvir de todo mundo como é que se trabalha, se ama, se permanece, se constrói. Eu tentei com todas as forças amar você e agora sofro com todas as forças pelo buraco que ficou entre o sofá e a planta e o meu coração. Você vai embora e eu vou voltar para as minhas manhãs com o iogurte que eu odeio mas que é a única coisa que passa pela garganta quando o dia tem que começar. E ficar me perguntando de novo para quem mesmo eu tenho que ser porque só tem graça ser para alguém. E QUE SE FODA O AMOR PRÓPRIO.
Você me disse e me olhou de formas terríveis mas o que sobrou colado em cada parte do dia e de mim é a maneira como você sorri levantando que nem criança o lábio superior direito e como eu gosto de você por isso e por tudo e mesmo quando é ruim e sempre quando é incrível e ainda e muito e por um bom tempo.

e isso foi todo o buraco que você deixou quando foi embora...

não pense que agora é tão fácil tapar e voltar. *

'